Problema com cicatrizes? Butantan cria nova pomada cicatrizante

O Instituto Butantan tem obtido avanços notáveis em sua pesquisa sobre uma pomada cicatrizante. Criada para prevenir infecções, queloides e outros efeitos adversos durante a recuperação da pele pós-ferimento, essa substância está sendo desenvolvida desde 2010 e incorpora um extrato do fungo Exserohilum rostratum.

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Conforme relatado pela Folha de São Paulo, a eficácia do composto em aprimorar a cicatrização foi confirmada por meio de investigações realizadas em feridas cutâneas, empregando uma formulação em formato de creme. No momento, estão em andamento pesquisas voltadas para a produção em grande escala e para o desenvolvimento de outras formas de apresentação, incluindo a versão em spray.

Entenda o processo de pesquisa do Butantan

A partir do isolamento do fungo Exserohilum rostratum, surgiram duas moléculas dotadas de atividade antimicrobiana, consideradas como a primeira possibilidade para a fórmula. Entretanto, devido à demanda por elevadas concentrações do composto para alcançar eficácia, essa propriedade não se revelou terapêutica.

Em uma entrevista concedida à Folha de SP, a pesquisadora Ana Olívia de Souza, participante do estudo, revelou que a eficácia da substância e a redução de efeitos colaterais requerem compostos ativos em concentrações mais reduzidas. Por conta disso, a ideia de atividade cicatrizante surgiu somente em 2014, quatro anos após o início da investigação.

Benefícios da pomada cicatrizante

Para além de acelerar a regeneração, a pomada cicatrizante em estudo também preserva a ferida em um estado mais seco, minimizando os riscos de infecção e exsudação. De acordo com a especialista, esse benefício pode estar relacionado à presença, ainda que em concentração reduzida, das propriedades antimicrobianas da molécula.

A pesquisadora destaca a importância da redução no tempo de cicatrização, ressaltando que isso beneficia a qualidade de vida do paciente. Além disso, ela afirma que o uso do creme ajudaria na regeneração mais eficaz, evitando a formação de queloides e cicatrizes permanentes. Até agora, a recomendação concentra-se em ferimentos superficiais na pele.

O processo de elaboração do relatório para a solicitação de registro junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está em andamento. Conforme mencionado pela pesquisadora, a previsão é que o pedido seja submetido à Anvisa entre o final de 2024 e o início de 2025.

Imagem: Victor Moussa / Shutterstock.com

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