‘Versão brasileira’ de The Americans? Espiões russos infiltrados no Brasil foram descobertos e surpreenderam as autoridades locais

Nos últimos tempos, têm vindo à tona casos de espiões russos atuando disfarçados no Brasil. Eles assumiam nacionalidades, profissões e personalidades locais, chegando a estabelecer relacionamentos pessoais no Brasil e em outros países. Essa estratégia de disfarce é empregada pela espionagem russa e permite a construção de uma vida paralela em um país para circular facilmente ao redor do mundo.

Três casos de supostos espiões russos foram identificados, mas sem evidências de espionagem. No entanto, ainda há muitas questões, como por exemplo, quanto tempo os espiões atuavam no Brasil, qual era o tamanho de sua rede e quantos permanecem no país. A principal delas é como foi possível que essas pessoas circulassem com identidades falsas no Brasil e em outros lugares, sem levantar suspeitas?

Cherkasov: Um dos casos de espiões russos disfarçados no Brasil

Um deles é Sergey Vladimirovich Cherkasov, de 37 anos, que chegou ao país em 2012 usando o nome fictício Victor Müller Ferreira. Fingindo ser filho de uma brasileira e um português e criado na Argentina, ele se fez passar por estudante. Depois, em 2018, foi aos EUA para um estágio e retornou ao Brasil. Atualmente detido desde 2022 após ser deportado da Holanda, foi condenado a 15 anos de prisão.

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Foi revelado que ele possui fotos antigas vestindo o uniforme das Forças Armadas russas. Por isso, está enfrentando acusações de usar identidade falsa e de envolvimento em atividades de espionagem, além da acusação de promover fraudes de ações ilícitas nos EUA. Tanto os EUA quanto a Rússia pediram sua extradição, com decisão favorável à Rússia, mas ele permanece no Brasil durante a investigação.

Sergey Vladimirovich Cherkasov / Imagem: Departamento de Justiça dos EUA / Reprodução

Por que a Rússia envia espiões para o Brasil?

Especialistas apontam três razões principais para a Rússia escolher o Brasil como local para enviar seus espiões russos: as fragilidades nos sistemas de emissão e controle de documentos, a história de não envolvimento em conflitos internacionais por parte do Brasil e a sua população miscigenada.

Na primeira, no caso de Cherkasov, sua certidão de nascimento de 1989 do Rio de Janeiro teria sido a base para obter documentos como identidade, habilitação, passaporte e cartão do SUS. Contudo, as certidões foram de fato emitidas por cartórios e são verdadeiras em termos de conteúdo, embora ainda não se saiba como os russos conseguiram adquiri-las.

Outra perspectiva é o histórico das últimas décadas, no qual a diplomacia brasileira optou por evitar se envolver em conflitos entre as grandes potências globais. Além disso, a diversidade étnica da população brasileira facilita que espiões russos de origem caucasiana possam se passar por um brasileiro sem suspeitas, devido à menor atenção dada a um passaporte brasileiro pelos serviços de inteligência.

Imagem: Jakub Krechowicz / shutterstock.com

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